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Flor Menina


Porcaria de viagem

 

Viagem de Monteiro a Campina Grande, ônibus da Real, sujo e fedorento. Era mil novecentos e qualquer coisa, hora indefinida, mas o sol ardia o asfalto. Pensava na quantidade de paradas que aquela banheira velha faria até seu destino final e suspirava de tédio. Essa viagem era sempre uma tortura.

Sentada atrás de mim, uma jovem mãe ensinava as primeiras palavras ao filho. Tudo o que aparecia no horizonte, ela apontava: “Olha, filhinho, um boi! Diga: boi”. E o menino: “Boi”. “Olha um urubu! Diga: urubu”. E ele: “Urubu”. Passou uma casa, um juazeiro, uma cabra. A mãe não deixava passar nada – e o menino repetia tudo

O ônibus comia léguas e a mãe extremosa não se cansava. Eu escutava aquela ladainha, entre sonolenta e interessada, e já quase fechava os olhos quando apareceu um porco na estrada. A mãe, prontamente, chamou a atenção do menino: “Eita, filho, olha agora! Um 'pôico'! Diga: 'pôico'”. E o menininho, coitado, não teve saída: “'Pôico'”.



Escrito por Sheila às 10h47
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