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Flor Menina


De intensidade e sensações

 

Sim, eu sei que sou muito intensa. Já me disseram isso. Intensamente sentimental. Sentimentos em estado puro, bruto, desfolhados em carne viva. Meu jeito de sentir as coisas é... exuberante, digamos. E quando amo, então, essa intensidade chega a queimar. Toma conta de tudo: alma, pele, coração, mente...

 

Não acho que sou tão intensa no trabalho, para citar uma tarefa prática, do dia-a-dia. Ou nos estudos. Ou mesmo em atividades extras que gosto muito. Sou intensa nos sentimentos, como já disse. E também naquilo que me faz aflorar os sentidos: quero sempre tocar, cheirar, saborear, ver, ouvir.

 

O toque das mãos, das peles, das bocas, o toque do abraço, do aperto de mão firme e gentil. O cheiro de mato, do sabonete preferido, da casa limpa, cheirinho de bebê, o cheiro do ser amado. O sabor do beijo, do suor, da lágrima, da fruta madura, da comida da mãe. A visão do céu estrelado, da lua, do pôr-do-sol, de um sorriso, a visão de um olhar cheio de ternura ou cheio de desejo. O som da música, do riso, da fala, do amanhecer num sítio, o som do mar.

 

Vivo intensamente todos esses sentidos. Sinto intensamente todos eles.

 

Mas ser intensa nas sensações e nos sentimentos não é um mar de rosas. Porque tanta intensidade assim machuca quando é posta à prova. Se, por exemplo, não ouço o que o ser amado deveria ter dito e não disse – por alguma das mil razões que podem levá-lo a isso –, da minha “floresta tropical” de sentimentos pode sair um monstro assombroso (é uma floresta muito fértil e profusa, extremamente propícia à criação).

 

E até que o ser amado, pobre coitado, consiga desfazer o possível mal-entendido, o monstro assombroso pinta e borda. Sua voz irritante é uma cantilena nos meus ouvidos: “E se aconteceu um acidente?”, ou “E se ele foi abduzido?”, ou ainda “E se ele não se importa?”.

 

Depois, quando tudo se explica e se acalma, o monstro se evapora no meio da densa floresta. Os sentimentos bons voltam a reinar. Paz.

 

Até quando?

 

Queria que esse monstro morresse de morte bem matada. Nunca mais mostrasse as fuças, nunca mais!

 

Aí me dizem que é tudo uma questão de “trabalhar” os sentimentos. Que é preciso canalizar essa cachoeira abundante pra um rio perene e tranqüilo. Que é necessário treinar o autocontrole, respirar fundo, saber esperar sem tirar conclusões precipitadas.

 

Eu mesma, a dona dessa floresta, assino embaixo. Mas não é mole, não.

 



Escrito por Sheila às 21h42
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