
São assim... Eles falam alto e movimentam braços e mãos com gestos que parecem seguir uma tradição, porque são os mesmos em todas as classes sociais e faixas etárias – e, mais interessante, parecem estar intrinsecamente ligados à fala: quando se aprende a língua, os gestos vêm a tiracolo. É praticamente impossível que a melodia das palavras não leve o falante a entrar naquela coreografia centenária. Eles comem bem e bebem muito vinho, mas não é algo que se restringe a encher a pança e picar a mula. Aliás, quando se reúnem para um almoço ou jantar, a diversão começa na preparação dos pratos – todo mundo junto e conversando – e se prolonga até bem depois da sobremesa. Eles gostam de comer, de falar de comida, de aprender pratos novos, de conhecer bons vinhos, de assistir a programas televisivos de culinária (há um montão na tevê). Eles são efusivos e falam palavrões sem o menor constrangimento, o que é divertido e, às vezes, chocante para quem não está acostumado. As explosões de palavras, gestos e palavrões faz a gente pensar que a criatura está tomada de raiva e que não nos olhará na cara por uns três dias. No entanto, dois minutos depois, não parece ter havido a menor alteração. Tudo calmo e tranqüilo como uma canção de ninar. E a gente fica meio assim: “hã?”... Eles são vaidosos, principalmente os homens. Como se não bastasse o jeito estiloso de se vestir, os relógios de marca e o cabelo cuidadosamente assanhado, muitos deles raspam o peito (argh!), pintam as unhas com base neutra (argh!!) e fazem as sobrancelhas (argh!!!). Cá pra nós, a maioria se parece com um travesti vestido de homem... Eles se exaltam quando falam de política, mandam todos os políticos para o olho que não vê o sol, mas não fazem nadica de nada para mudar a situação. Digo que gostam mais da polêmica do que ver as coisas organizadas... E eles me olham como se eu fosse doida. Ah, esses italianos... :-)
Escrito por Sheila às 11h08
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