Que cansaço... Falando sério? Eu não gosto de sexo. Não mesmo. Você acha isso espantoso? Que nada. Espantoso é o endeusamento que se faz desse ato. É o centro de tudo, está em tudo: na música, no cinema, nas roupas, na conversa com amigos – e até nem tão amigos –, na internet, na televisão, nas reportagens da mídia impressa, na propaganda... Espantosa, muitíssimo mais espantosa, é a permissividade que vem de toda essa banalização. Por isso, repito: eu não gosto de sexo. Não gosto, principalmente, da imposição velada e sufocante que vem de sua onipresença. E dizem que isso é saudável. Faz bem à pele, ao cabelo, à autoestima. Ora, me poupem. Saudável, para mim, é o amor. O carinho. O afeto. O companheirismo. O respeito. E, no meio disso tudo, o desejo. Mas sem a obrigação de ter orgasmos múltiplos, encontrar o tal ponto G ou realizar fantasias tresloucadas. Sem obrigação nem mesmo de haver sexo, até porque tem (muitos) dias em que a coisa não rola mesmo, e ponto. E nada de se sentir inferior por não se adequar a toda essa bobajada que nos empurram goela abaixo, a cada santo dia. Falando sério, mesmo. Eu não gosto de sexo. Eu gosto de amor. Melhor: eu não gosto de fazer sexo, mas de fazer amor. Isso tem algum sentido neste mundo estúpido em que vivemos? Com certeza, não. Mas faz sentido pra mim, e isso já é uma vitória e tanto.
Escrito por Sheila às 20h06
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