Sobre vovós e senso de ridículo
Reivindico o meu direito a ser uma vovó que faz crochê, usa xale e se balança numa cadeira de balanço enquanto assiste à novela. Saudável, sim. Bem cuidada. Que passeia, encontra amigos, viaja, se veste bem... Mas que não deixa de fazer coisas que durante anos todas as vovós fizeram. De onde tiraram a idéia de que é feio, para uma vovó, tricotar ou acompanhar enredos televisivos? Que isso é ultrapassado, e até absurdo, nos tempos atuais? Quem disse que temos de nos embonecar na proporção em que envelhecemos, como se fosse vergonhoso admitir que o tempo passou? Conheço algumas vovós ditas modernas que sequer admitem ser chamadas de vovó. Vivem nas academias de ginástica, fazem todas as plásticas e preenchimentos possíveis, praticam esporte de aventura, namoram caras (muito) mais moços e são pra lá de descoladas. E quando ouvem falar que alguma amiga está tricotando os sapatinhos do neto, é certo terem uma crise de urticária! “Que antiquada”, dizem, empinando o nariz recém-operado e dando de ombros, como se tivessem ouvido uma blasfêmia. Sinceramente, não vejo o que faz as pessoas entrarem nessa paranóia. Se alguma dessas avós modernosas lesse o que escrevi aqui, pode até ser que argumentasse: "Ah, você diz isso porque ainda é jovem!". Mas não é só uma questão de idade. É de senso de ridículo, mesmo. E também aceitação, sabe? O tempo passa, e ponto final. Quem não quiser ficar velho, que morra jovem! Eu, hein?
Escrito por Sheila às 18h40
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