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Flor Menina


Primeiro post de 2012!

 

Impressionante. Há oito meses não entro neste blog... A vontade de escrever volta de vez em quando. E eu começo os textos na cabeça, fixando o argumento inicial no cocoruto pra depois passar pra cá, só que acabo fazendo outras coisas, o tempo passa, eu me esqueço do que queria escrever e a oportunidade se vai.

Também tenho sentido muito cansaço. Trabalhar o tempo todo no computador, revisando e escrevendo, cansa muito! Minha cabeça fica pesada no final do dia... Quando chego em casa, preciso correr pra dar conta dos afazeres domésticos. Aí não tenho mais a menor vontade de escrever...

Na verdade, queria levar tudo o que escrevi aqui para outro lugar e cancelar esse blog. Mas não sei como fazer isso!



Escrito por Sheila às 00h50
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Cri, cri, cri...


É, o blog tá mesmo abandonado. Falta de tempo, isso mesmo. Parece desculpa esfarrapada, mas não é. Infelizmente. Queria eu que fosse só desculpa e eu estivesse guardando o meu tempo ocioso pra não dividi-lo com ninguém! Juro, às vezes queria ser assim de egoísta: meu tempo é só meu, tchau e bênção! Mas nem posso fazer isso, rapaz... Porque não tenho um tempo meu. Tenho o tempo do banho, do vestir-se às pressas, do comer em pé, da aula, do trabalho, da louça pra lavar, da comida pra fazer, da casa pra limpar... Até dormir virou quase uma obrigação: ou durmo agora, neste exato instante, ou vou descansar muito pouco e ficarei arrasada no outro dia (cheio de outros não-tempos para mim). As coisas que quero escrever tampouco parecem convidativas. Elas não me roem e se contorcem dentro de mim para sair, sabe? Era bom que fizessem isso, era bom mesmo. Assim eu me sentiria mais impelida a criar, a custa de batalhas contra todos e contra mim mesma, uma nesga desse precioso bem (o tempo) que me permitisse o afloramento dessas árvores-palavras. Mas nem mesmo erva-daninha sai...



Escrito por Sheila às 13h23
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Uma casa muito engraçada


Pela primeira vez nesta vida, tenho minha casa (ok, é alugada, mas, enquanto eu pagar para morar nela, ela é minha). E aí me vêm todas as vontades de comprar isso, ajeitar aquilo, confeccionar aquilo outro e fazer não sei mais o quê. Só não me vem dinheiro suficiente pra isso. Nem tempo. Afe.



Escrito por Sheila às 18h32
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Um sonho impossível (?)


Um dia, quando eu for gente grande, quero me deitar na rede sem contar o tempo de balanço.

Quero espalhar comida de passarinho no terreiro.

Quero produzir minha rapadura, minha farinha, meu fubá, queijo, mel, ovos, leite, carne, verduras, legumes, frutas...

Quero acampar no quintal, quando eu for gente grande. Com a meninada. Contar história de trancoso e seguir pegada de raposa no mato.

Quero cozinhar sem medo das calorias. Tomar banho de riacho. Fazer uma casa na árvore. Soltar pipa. Correr atrás de tanajura.

Quanto eu for gente grande, quero pintar, bordar, tricotar, crochetar, costurar... artesanar, enfim.

E quero tocar violão e dançar tango, também.

Além de declamar poesias para a lua cheia, ouvir falar de malassombros, pinotar num cavalo de marcha mansa, despertar com fala de galo, de vaca, de bode.

Sentir cheiro de curral.

Quero viver de verdade, no dia em que eu for grande.

Essa vida de consumismo inventada pelos meios de comunicação é toda um blefe.



Escrito por Sheila às 17h37
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Há tempos


Nunca mais passeei por aqui. Não sei se é só falta de tempo ou se me falta também vontade e ideias. Antes, gostava muito mais de papear no FlorMenina. Mas a intromissão das redes sociais, a correria do trabalho, a canseira do teclado, a página em branco diante de mim sem qualquer pincelada de criatividade ou memória, enfim, um amontoado de coisas, foi me fazendo mais e mais relapsa.

Talvez eu corte definitivamente este cordão. Não sei.

Vamos ver se depois deste início atrasado de ano novo eu tomo fôlego e volte às boas com o blog.

...



Escrito por Sheila às 11h56
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Porcaria de viagem

 

Viagem de Monteiro a Campina Grande, ônibus da Real, sujo e fedorento. Era mil novecentos e qualquer coisa, hora indefinida, mas o sol ardia o asfalto. Pensava na quantidade de paradas que aquela banheira velha faria até seu destino final e suspirava de tédio. Essa viagem era sempre uma tortura.

Sentada atrás de mim, uma jovem mãe ensinava as primeiras palavras ao filho. Tudo o que aparecia no horizonte, ela apontava: “Olha, filhinho, um boi! Diga: boi”. E o menino: “Boi”. “Olha um urubu! Diga: urubu”. E ele: “Urubu”. Passou uma casa, um juazeiro, uma cabra. A mãe não deixava passar nada – e o menino repetia tudo

O ônibus comia léguas e a mãe extremosa não se cansava. Eu escutava aquela ladainha, entre sonolenta e interessada, e já quase fechava os olhos quando apareceu um porco na estrada. A mãe, prontamente, chamou a atenção do menino: “Eita, filho, olha agora! Um 'pôico'! Diga: 'pôico'”. E o menininho, coitado, não teve saída: “'Pôico'”.



Escrito por Sheila às 10h47
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Enfermaria de um hospital público, Brasil, dia qualquer

 


Momento 1:

                A mulher contava às outras que o filho mais novo sofria de asma. Depois de vê-lo passar por várias crises sem que a medicina desse jeito, ela, enfim, encontrou o remédio que livrara o menino do suplício: um cágado. Sim, isso mesmo, aquele quelônio de água doce que muita gente costuma criar em quintais como um bichinho de estimação.

Ela dizia, cheia de convicção:

                – Pois resolveu, minha ‘fia’. Agora, quando o menino tem crise, quem fica sem ar é o ‘cago’. Vai tudo pra ele. O menino tem só uma tossezinha, mas o ‘cago’ fica por morto!

 

Momento 2:

          Seis camas em um quarto grande, seis homens internados por mazelas diversas, seis mulheres acompanhando seus doentes. A ala é a mais sucateada do hospital. Móveis, paredes, janelas, banheiros – tudo é velho, desgastado e fedorento.

Mas o tititi animado não tem fim. Uma das mulheres, sentada em cadeira forrada com um desbotado lençol do hospital, mastiga os últimos pedaços da bolacha distribuída no lanchinho da noite e, numa alegria genuína, dispara:

       – ‘Num’ fosse os parente [sic]  que ‘tão’ internado, isso aqui era bom demais! Eu sinto é falta quando troco com minha menina e ela vem ficar de acompanhante. É tão legal, rapaz! Uma amizade! Muito gostoso...

 

Momento 3:

                A mulher, sofrida e cheia de lamentações, implicava com o marido por tudo. O marido, pra piorar a situação, era só ironia.

                Ela dizia:

                – Ô Fulano, você devia era rezar, viu? Pedir clemência a Deus, em vez de ficar falando besteira...

                E ele:

                – Oxe, eu converso direto com Jesus, ele é meu colega!

                Ela não baixava a crista:

                – A pessoa tem que ter Deus no coração, Fulano! Se não, meu ‘fí’, a pessoa ‘pardece’...

 

Momento 4:

                A mulherada não fechava o bico. Quando começava a falar de comida, então, era um reboliço. Cada uma que se exaltasse mais pra falar de seus pratos preferidos (o isolamento forçado no hospital, por dias a fio, as deixava ainda mais saudosas de suas coisas).

                Uma delas, sem pestanejar – e falando mais alto que as outras –, alardeou:

                – Eu ‘tô’ em tempo de morrer aqui, sem cuscuz! Pense que é a comida melhor do mundo! ‘Num’ vivo sem cuscuz! Pode fazer dois, que eu como ‘tudim’!



Escrito por Sheila às 22h26
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P.S.: Ele é maravilhoso!

Ela é mulher de cores fortes. Quando triste, inunda. Quando alegre, transborda. Ele é homem comedido, mede as palavras.

Chegava o aniversário dela, era só agonia nunca lidou muito bem com a data em que veio ao mundo.

Assistindo a todo aquele drama, ele tentava acalmá-la com palavras ternas. Tão ternas e despreocupadas que ela, antevendo o que não existia, pensou: ele não está nem aí!

E não é que no dia D ele a leva com uma desculpa esfarrapada ao seu apartamento e, ao abrir a porta, ela dá de cara com uma bela festa surpresa, preparada sob suas barbas sem que ela tivesse a mínima suspeita?

Ele fingiu direitinho.

E fincou ainda mais a flecha no coração dela...

:-)



Escrito por Sheila às 20h46
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Temas que se vão


Há tanto tempo quero escrever... Os temas passam por minha cabeça, doidos pra sair. Mas quando chegam eu geralmente estou dentro de um carro ou cobrindo um evento ou resolvendo mil coisas num centro de cidade caótico e calorento. Bem distante de um computador ou completamente sem tempo pra rabiscar algo no bloquinho. Aí eles fogem, orgulhosos que são. E é assim que este blog, espaço cada vez mais tomado pelas teias de aranha, fica quase no abandono total.

Também tenho estado muito pessimista. O que venha a escrever certamente não será bem digerido por um possível leitor. É que o mundo me parece um lugar cada vez mais aterrador, estúpido e cansativo. Ver noticiário na TV e ler blogs e sites de atualidades têm me deixado cada vez mais pra baixo... Será que a coisa melhoraria se eu deixasse o mundo “civilizado” e me embrenhasse numa dessas comunidades alternativas que vivem no oco do mundo?

Queria escrever sobre temas bonitos, belas atitudes, natureza, alegria. Mas cadê meu pó de pirlimpimpim, pra eu voar e entrar num mundo fantasioso onde só se fala de coisas boas?



Escrito por Sheila às 11h06
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Esperança

 

 

Ela se chamava Esperança. Era mulher feita, vivida, passada nas dores. Mas o nome lhe fazia jus.

Sofresse o que sofresse, Esperança mantinha guardado dentro de si um vasto continente de terras virgens – e sempre que algum desbravador aparecia, com a palavra certa e a oferta esperada, esse continente se abria, cheio de delícias, cheio de riquezas, cheio de amores.

Era um sem fim de gozo. Tudo ali, à mão do desbravador. Esperança se dava como se nunca houvesse sido de outro. Como se nunca houvesse doído. Como se nunca houvesse morrido.

Esperava o amor verdadeiro. Esperava o abraço de plena aceitação.

Esperava.

Esperava.

Esperava.

Dizem que esperança é a última que morre.

Esperança, a nossa heroína, morreu várias vezes. Mas o vasto continente de terras virgens que tinha dentro de si era a fênix que revivia a cada morte de amor matado.

Esperança esperou pelo amor verdadeiro e o abraço de plena aceitação até o último suspiro. Levou para o céu, mais confiante que nunca, a esperança de, ali, enfim, ser cultivada.

 



Escrito por Sheila às 14h39
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Coisas de Salamanca que me farão falta...

 

1 – A missa na Iglesia del Espíritu Santo, mais conhecida como Clerecía. Foi nessa igreja, exemplo-mor do barroco na Espanha, que conheci o padre Miguel Ángel, responsável pela Pastoral Universitária de Salamanca. Um doce de pessoa, um modelo de sacerdote. Sua preleção, sempre repleta de sabedoria, se torna ainda mais emblemática no cenário em que é realizada, pois a Clerecía é um dos templos mais belos deste país. Esse majestoso patrimônio é administrado pela Universidad Pontificia de Salamanca, também responsável pela pastoral – que foi um porto seguro em minha estadia espanhola.

 

2 – A Plaza Mayor, belíssima. Passo por ela mil vezes e nunca me canso de admirá-la. É a mais bonita da Espanha, dizem. Não conheço todas (em tudo quanto é cidade espanhola tem uma), mas não duvido de que seja verdade. É realmente única, um ponto de encontro de salmantinos e estrangeiros, o coração da cidade e o seu mais forte cartão de visita. A Plaza Mayor de Salamanca fervilha. E é muito “coqueta”, como bem classifica o padre Miguel Ángel, filho orgulhoso desta urbe.

 

3 – A Calle Van Dyck, com seus inúmeros bares de pinchos. São esfumaçados, lotados e cheiram a fritura – mas têm bocadillos, montaditos e tapas deliciosos e baratos! Quantas vezes fui ali? Nem conto. Entrar e sair desses bares, degustando os bocados que eles oferecem e pisando em tapetes de guardanapo e piolas de cigarro (o bar com mais guardanapo sujo no chão é o mais concorrido) é algo obrigatório de se fazer em Salamanca. E é sempre uma diversão.

 

4 – A segurança. Nossa, como isso me fará falta! Não existe nada melhor do que caminhar pelas ruas sem medo de ser assaltada, ou dormir sem o perigo de alguém invadir seu apartamento, ou ainda dirigir sem cair em desespero na hora de parar num semáforo. Poder sair à noite e voltar pra casa de madrugada, a pé, na maior tranqüilidade do mundo, é fantástico. Claro que, aqui e ali, acontecem coisas más. Não é o paraíso terreno. Mas nem se compara à loucura que se vive hoje no Brasil... Pobre do meu país!

 

5 – A possibilidade de conhecer muitas coisas lindas, nos arredores de Salamanca, em outras províncias da Espanha ou no resto da Europa. Estar aqui, tão perto de tudo, é uma sensação ótima. Pena que nem sempre o bolso (e também o tempo, afinal, eu vim aqui pra estudar) acompanha a vontade de conhecer tudo, né? Ainda assim, eu até que viajei uma coisinha. Queria ter viajado muitíssimo mais, mas... Sonhar também é um ótimo exercício! E quem sabe não virão outras oportunidades?

 

6 – O contato diário e constante com a língua em estudo. Os diferentes sotaques, a entonação, as expressões típicas espanholas, os gestos ao falar – enfim, tudo é um laboratório maravilhoso para aprender mais sobre o idioma. Certamente, um bocado de coisa se perderá com a falta desse contato. Para preencher um pouco esse vazio, a solução será recorrer a rádios e tevês espanholas. Embora não seja o espanhol que se ouve na fila do supermercado ou enquanto se espera o sinal abrir, será um espanhol falado por espanhóis.

 

7 – Os amigos que fiz aqui... Ai, ai... Nesse ponto eu nem me estendo, porque dá uma pontadinha na boca do estômago que prefiro evitar. Sentirei muita falta de todos. Ainda bem que há a possibilidade de reencontrar muitos deles no Brasil, embora não seja na mesma situação e no mesmo ambiente – mas serão as mesmas pessoas, e é isso que realmente importa!

 

Até mais, Salamanca! Obrigada por tudo o que você me ensinou, bela cidade!

 

:-)

 

 



Escrito por Sheila às 10h06
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De intensidade e sensações

 

Sim, eu sei que sou muito intensa. Já me disseram isso. Intensamente sentimental. Sentimentos em estado puro, bruto, desfolhados em carne viva. Meu jeito de sentir as coisas é... exuberante, digamos. E quando amo, então, essa intensidade chega a queimar. Toma conta de tudo: alma, pele, coração, mente...

 

Não acho que sou tão intensa no trabalho, para citar uma tarefa prática, do dia-a-dia. Ou nos estudos. Ou mesmo em atividades extras que gosto muito. Sou intensa nos sentimentos, como já disse. E também naquilo que me faz aflorar os sentidos: quero sempre tocar, cheirar, saborear, ver, ouvir.

 

O toque das mãos, das peles, das bocas, o toque do abraço, do aperto de mão firme e gentil. O cheiro de mato, do sabonete preferido, da casa limpa, cheirinho de bebê, o cheiro do ser amado. O sabor do beijo, do suor, da lágrima, da fruta madura, da comida da mãe. A visão do céu estrelado, da lua, do pôr-do-sol, de um sorriso, a visão de um olhar cheio de ternura ou cheio de desejo. O som da música, do riso, da fala, do amanhecer num sítio, o som do mar.

 

Vivo intensamente todos esses sentidos. Sinto intensamente todos eles.

 

Mas ser intensa nas sensações e nos sentimentos não é um mar de rosas. Porque tanta intensidade assim machuca quando é posta à prova. Se, por exemplo, não ouço o que o ser amado deveria ter dito e não disse – por alguma das mil razões que podem levá-lo a isso –, da minha “floresta tropical” de sentimentos pode sair um monstro assombroso (é uma floresta muito fértil e profusa, extremamente propícia à criação).

 

E até que o ser amado, pobre coitado, consiga desfazer o possível mal-entendido, o monstro assombroso pinta e borda. Sua voz irritante é uma cantilena nos meus ouvidos: “E se aconteceu um acidente?”, ou “E se ele foi abduzido?”, ou ainda “E se ele não se importa?”.

 

Depois, quando tudo se explica e se acalma, o monstro se evapora no meio da densa floresta. Os sentimentos bons voltam a reinar. Paz.

 

Até quando?

 

Queria que esse monstro morresse de morte bem matada. Nunca mais mostrasse as fuças, nunca mais!

 

Aí me dizem que é tudo uma questão de “trabalhar” os sentimentos. Que é preciso canalizar essa cachoeira abundante pra um rio perene e tranqüilo. Que é necessário treinar o autocontrole, respirar fundo, saber esperar sem tirar conclusões precipitadas.

 

Eu mesma, a dona dessa floresta, assino embaixo. Mas não é mole, não.

 



Escrito por Sheila às 21h42
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Escrito por Sheila às 18h38
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História de amor


Ela tinha 20 anos. Ele ia fazer 17.

Ela estava na universidade, morava fora de casa, descortinava um mundo novo.

Ele, ainda no colégio, se mudava com a familia para viver naquela cidade.

Ambos gostavam de música e de escrever poemas. Ambos sorriam de uma maneira que encantava um ao outro. Conversavam e se olhavam durante horas – sem se tocar, sem se beijar.

Os amigos dela brincavam: “Você é uma papa-anjo!”. Mas ela não havia papado nada. Apenas aquelas palavras (tão doces em um menino daquela idade...) e aquele sorriso que lhe deixava ofegante.

O tempo passou.

Um e outro tomaram caminhos diferentes, nunca mais se viram, nunca mais se falaram. Dores, alegrias, conquistas, fracassos... Cada um teve sua quota.

Aí um dia ele decidiu usar a magia da internet para saber por onde andava aquela menina que certa vez lhe presenteou um poema escrito em pergaminho desenhado por ela mesma. Pôs o seu nome num site de relacionamentos, clicou em buscar e, pimba!, a encontrou!

Ela estava do outro lado do oceano, mas a distancia não foi suficiente para bloquear o dilúvio de imagens, assuntos e vontade de conversar mais, conversar mais, conversar mais... Música e poesia, histórias de vida, coincidências (milhðes delas!), hobbies, profissðes...

E se identificaram com ainda mais força. E se quiseram. E se fizeram promessas e declaraçðes. E estão hoje à espera do dia em que se olharão outra vez, em que enfim se tocarão, se beijarão, se terão.

Espera que inebria...

Espera que adoça...

 

 



Escrito por Sheila às 19h39
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Um livro especial

 

Joana gostava de folhear um antigo, grosso e pesado livro de arqueologia, mistérios e terras lendárias de seu tio. Os primos corriam para lá e para cá, brincando e gritando o seu nome. Mas Joana estava mergulhada no Antigo Egito, não tinha tempo para brincar.

Um dia, ela pediu o velho livro emprestado ao tio. Carregou-o com gosto pelas ruelas da pequena cidade, quase não podendo com o seu peso. Maravilhada, leu e releu tudo o que mais lhe chamava a atenção, consertou a capa que se descolava, ajeitou algumas páginas que se dobravam sobre si mesmas... e se preparou para devolvê-lo.

Mas o livro implorou para ficar ali, onde era amado. Não queria voltar à poeira e ao descaso de antes. Queria ser folheado e compartir seus conhecimentos. Queria que vissem o quanto era fascinante todos aqueles mistérios que ele continha.

Joana não precisou ouvir muitos argumentos: acatou o seu pedido! Apesar do receio de ser cobrada, seu tio jamais lhe perguntou pelo livro; esqueceu-o completamente.

 

Hoje, quase 30 anos depois, ele pode ser visto no seu baú dos Pequenos Tesouros da Infância, dividindo espaço com diários, bonecas e álbuns de figurinhas.

 

E, mesmo depois de tantos anos, o velho livro ainda é fonte de deslumbramento para Joana...

 

 

 

 

 



Escrito por Sheila às 08h03
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