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Flor Menina


Bella Italia - II

Sexta-feira passada foi um dia dedicado ao Vaticano. Beto e eu pegamos o trem das 7h em Orbetello e chegamos cerca de 8h30 na Piazza di San Pietro, armados de câmera fotográfica, sapatos confortáveis e água mineral.

Primeira parada: a Basílica, claro. Linda! Um tesouro completo, por dentro e por fora. Segunda maior de todas as igrejas católicas, a basílica pode abrigar mais de 60 mil pessoas. Estátuas, túmulos, capelas, museu, cúpula – e, claro, a imperdível Pietà de Miguelangelo!

Logo depois, os Museus Vaticanos. Centenas de turistas se engalfinhavam dentro das 54 salas de exposição, cada um mais afoito pela foto perfeita. O lugar é um conglomerado de renomadas instituições culturais da Santa Sé, que abrigam extensas e valiosas coleções de arte e antigüidades amealhadas ao longo dos séculos pelos diversos Pontífices Romanos.

Fundados em 1771 pelo Papa Clemente XIV, os museus contam com a Galeria dos Mapas, as Salas de Rafael, os museus Egípcio, Etrusco, Etnológico, a Coleção de Arte Religiosa Moderna e Contemporânea e o Museu Gregoriano Profano e Museu Pio-Cristão, entre outros espaços importantes.

Um ponto alto da visita é a Capela Sistina. Mas como andamos para chegar a essa capela! E quanta gente quer vê-la! E como gritam os guardas que supervisionam o local! E, no meio de tanta gente e tanto grito e tanto calor, cadê espaço para um instantezinho de reflexão e abobalhamento diante da beleza criada por Miguelangelo? Quem me dera poder visitar essa capela sozinha...

Bom, ao final do dia estávamos somente o pó. Mas contentes da vida! Tanta beleza e história num único dia não é pra qualquer um!



Escrito por Sheila às 06h34
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Bella Italia - I

Então o negócio agora é passear pela Itália, com direito a muitos beijinhos, sorvetes e pastas deliciosos!

A primeira parada, lógico, foi em Porto Ercole, a cidadezinha de Roberto. Com quatro mil habitantes pendurados nas encostas que dão para um porto marejado de barcos chiques, o lugar é um charme. Antigo domínio espanhol (há quatro fortes nas colinas ao redor da cidade), Porto Ercole está situada no Monte Argentário, há poucas horas de lugares como Siena, Florença e Roma.

E foi para Siena que nos dirigimos na segunda-feira passada. Passamos o dia por lá, conhecendo belezas medievais que o tempo não  mudou. Ao caminhar por suas ruas estreitas, cheias de arcos e curvas, percebemos que a cidade mantém vivo o seu passado. No centro, destaque para a Piazza del Campo, circundada por casarões renascentistas, a torre do Palazzo Pùbblico e terraços adornados por gerânios.  

Siena se situa na convergência de três colinas que formam uma espécie de pedestal para a cidade. Sua praça central, única, foi construída para permitir o escoamento das chuvas, num desenho que dá aparência da palma de uma mão. A praça está cercada por grandes residências. Siena em peso (e também a horda de turistas que lhe invade) converge para a praça durante o Festival do Palio, uma corrida de cavalos que se mantém basicamente a mesma h
á
séculos.

Na parte alta da cidade h
á a Catedral (Duomo), com
a Torre do Sino e uma fachada gótica de mármores e mosaicos. Simplesmente magnífica. Foram dois séculos para ser construída e é um dos mais caros projetos de Siena. O chão é pavimentado com mármore. As colunas, estátuas, pinturas, o coro em madeira e o esplêndido púlpito enriquecem ainda mais a estrutura.

Siena é também renomada por sua Universidade, além de ser um importante centro lingüistico – segundo dizem, ali se fala o melhor italiano.

Visitando Siena o turista percebe que a cidade soube conservar adequadamente o seu rico patrimônio artístico e histórico. É uma viagem para ficar na lembrança!



Escrito por Sheila às 18h23
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De Cala d’Or – Mallorca (Espanha) a Porto Ercole – Toscana (Itália)

 

Foram dois meses e meio de ralação braba – e também de um pouco de curtição, que ninguém é de ferro. Dois meses e meio em que trabalhei muito, conheci lugares super bonitos e estive praticamente fora do mundo virtual (para este pobre diário, principalmente, não tinha tempo nem disposição).

 

Mallorca é uma ilha grande incrustada no Mediterrâneo, cheia de pedras, calangos, praias pequeninas chamadas calas, hotéis de todas as estrelas e turistas loiros e tatuados. A água do mar é de um verde esmeralda impressionante e o calor deixa a gente zonza. A cada verão, a ilha é invadida por uma horda de estrangeiros, principalmente alemães e ingleses – nem parece que a gente está na Espanha.

 

Nos hotéis, não só os turistas são gringos, mas os funcionários também. República Tcheca, Polônia, Eslovênia, Marrocos, Nigéria, Portugal, Colômbia, Chile, México, Brasil... O mundo está nos bastidores dos hotéis mallorquinos.

 

E, rapaz, como é duro o trabalho num hotel!

 

Comecei como camareira, limpando os apartamentos. Não durei uma semana. É preciso fazer tudo em tempo recorde, e tem de ficar tudo tinindo! Quem disse que eu conseguia incorporar o papel de The Flash? No apartamento com hóspedes você tem só 15 minutos pra dar uma geral; no apartamento recém-liberado pela clientela, uma hora pra limpar a fundo. E não é só quarto com cama e banheiro. Tem sala dupla, terraço, cozinha, às vezes dois banheiros, às vezes dois quartos – e tem ainda os sofás da sala, que são transformados em cama; pense num troço ruim de arrumar!

 

Dá pra tu?

 

Aí, como eu limpava cada apartamento em 30 minutos e fazia a tal faxina em duas horas, me mandaram pra outro hotel da mesma rede; dessa vez, pra ficar na limpeza geral (entradas, elevadores, bares, restaurante, banheiros da piscina... ). OK. Deu pra levar. Até porque não tinha que agüentar as governantas o tempo todo no meu pé, dizendo pra eu ser mais rápida ou me mandando refazer o que não ficou esplendidamente brilhante (não necessariamente limpo, que isso fique registrado). As governantas, aliás, são umas pestes, até parece que fazem um curso sobre como maltratar os funcionários!

 

Bom, aí a minha coluna reclamou. A perna esquerda começou a puxar, as mãos estavam sempre adormecidas... E me deram atestado por uma semana. Não nego que achei bom me afastar daquele estresse (principalmente da chefa, que é uma cobra peçonhenta), mas me deu um tédio, menino! O tempo parecia estar parado – e tudo o que eu queria era que ele voasse!

Voasse pra que chegasse logo o dia de sumir dali. O dia de rever Roberto. De viajar com ele pra Itália e passear, namorar, conhecer mais coisas lindas. E depois ir pro Brasil, para os braços dos meus queridos!

 

Até que enfim esse dia chegou! Depois de marcar com um “x” os dias no calendário que eu mesma desenhei e colei no espelho da casa onde morei por esse tempo, o dia da liberdade enfim nasceu. E que alívio! Voltei pra Salamanca numa excitação só, doida pra cair no abraço do meu italiano. Tão bom!

 

Agora estamos aqui, os dois, aproveitando cada minutinho que temos juntos e curtindo as nossas (mais minhas que dele, na verdade) férias pela região da Toscana. De Mallorca, sinto falta das meninas (também estudantes brasileiras que vivem em Salamanca e trabalharam na mesma rede de hotéis) e do laço de amizade que se fortaleceu entre nós nos momentos de dureza e de curtição na ilha.

 

Valeu a pena. Cada calo que se formou em minhas mãos me trouxe não apenas o dinheiro necessário para tocar meus estudos e visitar minha terra, mas principalmente uma rica experiência. A prática diária da paciência e da humildade lapida qualquer alma tosca!

 

:-)



Escrito por Sheila às 11h49
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Mallorca

OK. Mudanças à vista. Nesta quarta-feira, parto para uma temporada de três meses em Mallorca. Trabalharei em um hotel de Cala D'or, provavelmente de camareira. Já me disseram que o serviço não é moleza, mas tudo bem. O que vou ganhar por ele me aliviará um bocado as preocupações financeiras. Além disso, é outro lugar bonito para se conhecer nesta Espanha que por tantos anos me fez sonhar.

Estarei offline a maior parte do tempo, então este pobre blog ficará ainda mais desprezado. Nada não. Assim que tiver um tempinho, conto tudo!

Xêro em todos que me visitam por aqui!

¡Y hasta pronto!



Escrito por Sheila às 19h05
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Veio e passou!

O inferno astral que antecede meus aniversários se foi tão logo bateu a meia-noite entre os dias 4 e 5. E agora estou muito contente da vida, pois meu aniversário foi ótimo!!! Ganhei festa surpresa e entrada pro show de Juanes, quer melhor? E, principalmente, ganhei carinho e amor de montão! De Roberto e dos amigos!

Que alegria senti!

Bom... Que o mundo é estúpido todos sabemos. Mas às vezes até que é bem divertido!



Escrito por Sheila às 17h23
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Lá vem de novo...

A ressaca da viagem? O fim das aulas? O dinheiro que rareia? O aniversário que se aproxima? A incógnita sobre o futuro com Roberto?

Uma coisa ou todas juntas. O que sei é que sinto um banzo, um cansaço, um desestímulo... Uma vontade-de-sei-lá-o-quê. E nesse buraco de "num-sei" infestam pensamentos tortuosos. É como um filme autobiográfico que não cessa de passar e repassar.

Que criatura tão complicada, minha Santa Terezinha!...

Ou é mundo que é um negócio muito estúpido?


Escrito por Sheila às 11h51
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Me belisca!

Foram quase 15 dias de puro mergulho na cultura ibérica. Espanha e Portugal na veia. Claro, não deu pra ver tudo o que se tem para mostrar, mas o que vimos é suficiente para que tenhamos uma noção sobre o que há de bom nesses dois países. Comida, arquitetura, história, costumes, gentes, paisagens. Um assombro!

A primeira parte do passeio se concentrou em Castilla y León: Salamanca, Ávila e Segovia. A segunda, no vizinho Portugal: Porto, Fátima, Óbidos, Lisboa e Sintra. E, por último, os olhares se delumbraram na bela Andalucía e na capital espanhola: Sevilla, Granada e Madrid.

Não há como dizer o que foi melhor, porque tudo foi bom. Mas há como destacar alguns passeios e lugares que falaram mais alto aos nossos corações. Por ordem cronológica:

1.       Visita ao Alcázar de Segovia. Meu tio ficou boquiaberto com a beleza do lugar...

2.       Jantar às margens do rio Douro (um bacalhau delicioso!) e, no outro dia, visita a uma cave de Vinho do Porto. Descobrimos um monte de coisas sobre essa delícia de vinho e nos encantamos!

3.       Rezar aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Minha tia amou!

4.       Perambular pelas ruelas de Óbidos, um charme de cidadezinha medieval portuguesa!

5.       Conhecer o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, em Sintra, situados num bosque maravilhoso, de ar muito puro e cheirando a pinho... Que paisagens!

6.       As ruas estreitas, a gente alegre, o clima festivo, o calor e o flamenco (o show no Palácio Andaluz foi emocionante!) da acolhedora e bela Sevilla, cidade que merece ser visitada inúmeras vezes! 

7.       Caminhar pelo imenso complexo de prédios e jardins que é La Alhambra, em Granada. Que coisa tão bonita é aquela?

8.       O rio Tajo (que em Portugal vira Tejo) abraçando a encantadora Toledo.

9.       A chegada a Madrid, pela Avenida de la Castellana e, depois, pela Calle Alcalá. A gente tinha se perdido, na vinda de Toledo, e se achou exatamente nos principais cenários do centro madrilenho. A capital da Espanha é linda!

Tenho certeza de que meus tios gostaram de tudo. Eu, então, nem se fala! Visita assim é uma vez a cada cem anos. Quem dera mais outro montão de gente querida do Brasil me visitasse e me levasse pra passear pela Europa!...

:-)



Escrito por Sheila às 18h22
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Então...

Terminou. Depois de quase oito meses de aula, o máster fechou a bodega. Agora só nos resta queimar as pestanas para preparar nossos projetos finais (ou memórias, como se diz aqui).

Sentirei falta do pessoal. Dificilmente nos encontraremos todos juntos de uma só vez. Mas... Assim é a vida. Agora é uma nova etapa, e creio que também será cheia de aprendizados - embora mais solitária.

Bom, aqui vai uma foto de parte da turma. Foi tirada logo depois da apresentação dos trabalhos que fizemos em grupo, a criação de um curso de 36 horas com o desenvolvimento de uma das unidades didáticas. Foi um estresse, até que estivesse tudo pronto! Mas saiu tudo bem!



Agora, estou na expectativa da chegada de meus queridos tios Ari e Maninha, que vêm do Brasil visitar essa "morta de saudade" e passear um bocadinho pelo Velho Mundo, que eles não são bestas. Chegam depois de amanhã, pense na excitação! Farei tudo para que eles se divirtam e conheçam um montão de coisas!

Que bom!!!



Escrito por Sheila às 16h37
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Fim da primeira etapa

As aulas do máster se encerram no dia 10 de maio, um sábado. Ou seja, tenho menos de 20 dias de contato diário com aquela turma internacional. Das aulas em si já estou "hasta las narices". Mas sentirei falta desse grupo heterogêneo com quem divido minhas tardes desde outubro passado.

Não é em todo lugar que se pode ter gente da Tailândia, Estônia, Filipinas, Vietnã, Bélgica, Azerbaijão, China, Itália, Uzbequistão, México e, claro, Espanha, entre os colegas de classe. Tinha de ser assim, em uma cidade universitária quase milenar como Salamanca. Pra cá, convergem estudantes de todos os rincões do mundo. Para se ter uma idéia, há 35 mil estudantes na cidade (como esse quarteto da foto acima, uma estoniana, uma brasileira, uma italiana e uma chinesa, todas da mesma turma, posando em frente à Faculdade de Filologia).

Bom, agora é partir p'ra memória. Terei um ano, com prazo prorrogável por mais seis meses, para fazer meu projeto de investigação e receber o título de máster. Já tenho a idéia e a tutora. Mas só começarei a fuçar bibliotecas depois do verão.

E seja o que Deus quiser!



Escrito por Sheila às 14h50
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Em terras lusitanas

Até que enfim, conheci a terra de onde saiu a maioria dos meus ancestrais: Portugal. E, como era esperado, me identifiquei em cada beco, azulejo, praça e casas do velho país. Vemos o Brasil em vários cenários. Além disso, o povo é simpático, ouve-se muita música brasileira nas rádios locais e a comida é uma delícia - como também é delicioso ouvir o sotaque do português de Portugal!

Fomos em um grupo de sete pessoas (quatro italianos, duas mexicanas e uma brasileira) a Lisboa, Porto e Fátima, por quatro dias. Porto foi a primeira parada. Fomos à praia, passeamos pelas margens do rio Douro, vimos suas belas pontes e passeamos pelas ruas estreitas e escuras de seu centro histórico. Depois, fomos a Fátima e nos somamos aos mais de cinco milhões de peregrinos que visitam o santuário por ano. Depois, a Lisboa, cidade que me encantou! Monumentos, comida, pontes, ruas, bairros históricos - tudo falou muito forte ao meu coração!

Falta ainda muita coisa para ver, mas tive uma mostra bastante satisfatória do que ainda está por vir. Voltarei, com certeza.



Escrito por Sheila às 09h45
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Passeio por alguns pueblos

Sábado passado fui passear com Dani, Solange, Michael e o padre Miguel Ángel. De Salamanca, partimos para Miranda del Castañar e La Alberca. Na volta, paramos em Alba de Tormes e fizemos ali a vigília pascal. Nos dois primeiros pueblos, fiz uma viagem no tempo. Medievais e muito bem conservados, os povoados são lindos e cheios de história. Em cada canto há um banco, uma parede, uma casa, um portão ou um cadeado que estão ali desde tempos imemoriais. E, como eu adoro velharia, lógico que fiquei contente da vida nesse rolé!

Alba de Tormes também é um charme. Além de ser um ducado (a duquesa, uma senhora esquisitíssima, parece uma múmia; é tão esticada, mas tão esticada, que quase não lhe sai a voz), bom, além de ser um ducado, acolhe os restos de Santa Teresa de Jesus. Foi na igreja onde está o seu corpo que fizemos a vigília. Lá, havia uma imagem belíssima da Virgen de la Soledad, que faz parte das relíquias do convento das carmelitas e é exposta somente uma vez ao ano, no Sábado de Aleluia.

Fechamos a Semana Santa com chave de ouro!



Escrito por Sheila às 19h51
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Papel, penico e cocô


Divido apê com três espanholas de 18 anos de idade. Não tanto pela diferença de idade, mas principalmente por serem espanholas, os três brotinhos do amor quase não conversam comigo. Não perguntam nada, não dizem nada. Se não inicio algum tipo de papo, já era. Quando alguma está sozinha comigo até se abre um pouco mais. Mas basta que chegue outra pra acabar a farra.

Também não são muito chegadas a uma faxina. Fazem um reme-reme qualquer e ainda deixam vassoura, esfregão, pá e balde espalhados pela casa (e, por incrível que pareça, esse é o único indício de que alguém “limpou” alguma coisa ali).

Menos mal que as dondocas não são afeitas ao botellón a cada final de semana. Na verdade, dificilmente ficam em Salamanca nesse período – se vão para seus pueblos, ainda bem! Se ficassem aquí e fizessem mil festas, eu já teria picado a mula.

Bom, como minha idéia é zarpar daqui no verão, a trabalho, vou praticar minha parca paciência até lá. Vida de estudante, ainda mais quando a estudante em questão já não tem a mesma tolerância dos seus 20 anos, é dose!



Escrito por Sheila às 19h33
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Semana Santa

 

A idéia era visitar o Sul da Espanha e dar um giro pelas principais cidades portuguesas. Seríamos cinco pessoas em um carro alugado, com câmeras fotográficas na mão e muita vontade de desbravar mais alguns quilômetros do Velho Mundo.

 

Aí um desistiu. Depois a outra. Quando buscamos substitutos, já era tarde demais: todo mundo já tinha algum plano. A viagem foi adiada. Ficamos só na vontade...

 

Semana Santa está sendo mesmo em Salamanca. Alguns dos que aquí ficaram (como eu) pensam em dar uns pulinhos nos pueblos ao redor da velha cidade universitária. Segunda-feira passada mesmo passeamos pelo campo. Dani, Carlos, Michael, padre Miguel Ángel e eu.

 

Abraçamos uma oliveira de mais de 1.500 anos de idade, tiramos fotos em uma ponte do século 13, conversamos com moradores, visitamos a velha igreja de um povoado chamado Linares de Río Frío... Coisas simples (e gostosas) assim.

 

Enquanto isso, na cidade reinam as procissões. Acompanhei uma na terça, mas desisti das outras. O frio, que parecia ter ido embora nas últimas duas semanas, voltou com força total e está de lascar (de 0º para baixo, durante as noites). Mas, confesso: não é só o frio que me paralisa. Na verdade, as procissões daqui me dão um certo medo.

 

Cada desfile é organizado por uma confradia, e há um montão delas. Todas têm um dia, um horário e um percurso próprios, tudo muito bem organizado. Concentram-se nas igrejas-sede da irmandade e saem pelas ruas em silêncio sepulcral, cortado apenas pela música fúnebre tocada por uma banda posicionada atrás do andor.

 

Os confrades se vestem com túnicas e capuzes bicudos, com apenas dois buracos na altura dos olhos. Carregam cruzes, velas, incensórios, matracas, sinos - e outros objetos religiosos que agora não recordo o nome. O andor que leva as imagens é enorme, precisa de, no mínimo, 30 homens para carregá-lo (em uma que desfilou ontem eram 100 homens).

 

É bonito. Mas... Não sei. Talvez seja por falta de costume, mas prefiro as procissões simples do Brasil. Principalmente porque, apesar de todo o paramento, eu não senti emoção. Por certo, as pessoas que integram das confradias se sentem bastante emocionadas, do contrário não participariam. Mas para quem assiste parece apenas um espetáculo.

 

E é assustador. Pela música, pelas roupas, pela sobriedade do ritual...

 

De certa forma, comparo todo o ato a um desfile de escola de samba. Há um grupo de pessoas que organiza e participa da apresentação, há um figurino apropriado - nas cores da bandeira de cada irmandade -, há a divisão por alas, há uma banda de música e há transmissão pela televisão, com mapas do percurso, comentários sobre o traje dos confrades, as imagens e a história da confradia... Enfim, embora com fins completamente opostos, a metodologia é a mesma.

 

As imagens são belíssimas, isso é inegável. Obras de arte da mais pura qualidade (como esta acima, Nuestro Padre Jesús Flagelado, esculpida por Salvador Carmona em 1760). Os adornos também são imabatíveis. Mas, sei lá. Achei estranho...

 

Bom, as procissões se encerram no Domingo de Páscoa. Talvez eu acompanhe outra, pra tirar um pouco essa impressão esquisita que ficou. Quem sabe? Talvez também eu vá a outro pueblo, amanhã. Daí eu conto depois.

 

:-)



Escrito por Sheila às 21h30
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Eu quero um olhar
que me mate a vergonha,
que me queira com fome,

e me desnude...

Eu quero uma boca 
que me atire poesias,
que me beije a alma,

e me absorva...

Eu quero uma língua
que me declare amor,
que me dê de beber,

e me mergulhe...


Eu quero um corpo
que me faça fogueira,
que me atice e desalinhe,

e me sirva de berço.



Escrito por Sheila às 20h30
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Dia especial

 

Hoje é Dia dos Namorados, por aqui - ou dia de San Valentín, ou Valentine's Day.

Apesar de não poder comemorá-lo devidamente, com tudo o que a data oferece, ofereço essa canção (que amo!!!) aos enamorados do planeta.

Para quem quiser ouvi-la (só ouvir mesmo, porque o vídeo mostra apenas um LP girando na radiola...), é só clicar aqui. Está na voz de Frank Sinatra. Nã encontrei a versão com Chet Baker, minha favoria.

Enfim... Curtam bastante. E aproveitem essa doença boa chamada paixonitis agudatis!

My funny Valentine

My funny Valentine
Sweet comic Valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet you're my favourite work of art

Is your figure less than greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak
Are you smart?

But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's Day

Is your figure less than greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak
Are you smart?

But don't you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's Day



Escrito por Sheila às 19h56
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